Evolução Do Mercado De Seguro No Brasil- 2006/2016

Mercado de seguros cresceu 200% nesses dez anos (18 de maio de 2017)

Somente em 2016, o setor de seguros faturou o montante de R$ 132 bilhões. A dez anos atrás, o valor acumulado era de R$ 44 bilhões, representando um crescimento de 200% durante aquele período.

De acordo com o levantamento realizado pelo assessor de economia do Sincor-SP, Francisco Galiza, no período, o Índice Geral de Preços (IGPM) cresceu 89%; o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) 82%; o dólar comercial, 60%. “Ou seja, o mercado de seguros brasileiro superou com folga esses indicadores”, declara.

O estudo, ainda, aponta que o aumento não foi uniforme, já que o seguro saúde cresceu 295%, o seguro de pessoas avançou 264%, enquanto que o seguro de automóvel variou para 144%.

Veja-se os indicadores abaixo:

Ramo (R$ Milhões) 2006 2016
Auto (sem DPVAT) 13.338 32.560
Pessoas (sem VGBL) 9.404 34.231
Saúde 9.112 36.030
Patrimonial 4.993 12.964
Demais 7.108 16.356
Total 43.955 132.141
Ramo (Composição %) 2006 2016
Auto (sem DPVAT) 30% 25%
Pessoas (sem VGBL) 21% 26%
Saúde 21% 27%
Patrimonial 11% 10%
Demais 16% 12%
Total 100% 100%
Ramo (Evolução) 2006 2016
Auto (sem DPVAT) 100 244
Pessoas (sem VGBL) 100 364
Saúde 100 395
Patrimonial 100 260
Demais 100 230
Total 100 301

Fonte: Comunicação Sincor-SP

Os dados acima apresentados, sem dúvida, apontam que o setor de seguro, no Brasil, está imune a crise econômico-financeira por que passa o país nos anos 2006 a 2016 estendendo-se, portanto, aos anos de 2017 e 2018.

Note-se que para contratação de seguros, no Brasil, é exigida a intermediação de um corretor de seguros habilitado, que é uma pessoa especializada, com os conhecimentos necessários para orientar o segurado sobre quais seguros contratar, com quais coberturas e com quais limites. O corretor é um representante do segurado e não tem vínculo com as seguradoras, por esta razão, um mesmo corretor é capaz de oferecer seguro de diversas seguradoras. A necessidade do intermediário remete ao problema de conflitos de interesse entre a seguradora e o cliente (a seguradora é uma instituição econômico-financeira que visa lucro, e portanto pode não esclarecer pontos importantes para o pagamento da indenização ou prêmio, por exemplo).

Hoje, no Brasil, muitas das empresas seguradoras já disponibilizam sistemas próprios para cálculos e contratação de seguros pela Internet. Você pode fazer sua cotação de seguro auto aqui no nosso site Meu Seguro Mais Barato.

Quando Surgiu o Seguro no Brasil?

O seguro no Brasil surge e desenvolve-se com a fuga  de Portugal ou vinda para o Brasil da Família Real Portuguesa e a abertura dos portos, em 1808, fatos que intensificaram a navegação. A primeira empresa seguradora foi a Companhia de Seguros Boa-Fé, que surgiu no mesmo ano, com objetivo operar no seguro marítimo.

Naquele período, as atividades seguradoras eram regulada pelas leis portuguesas do Reino do Brasil, Portugal e Algarves instituído pelo Rei Dom João VI. Somente em 1850, muito depois da Independência do Brasil, com a promulgação do “Código Comercial Brasileiro” (Lei n° 556, de 25 de junho de 1850) é que o seguro marítimo foi, pela primeira vez, estudado e regulado em todos os seus aspectos.

O advento do “Código Comercial Brasileiro”, no Império, foi de fundamental importância para o desenvolvimento do seguro no Brasil, incentivando o aparecimento de inúmeras seguradoras, que passaram a operar não só com o seguro marítimo, expressamente previsto na legislação, mas, também, com o seguro terrestre. Até mesmo a exploração do seguro de vida, proibido expressamente pelo Código Comercial, foi autorizada em 1855, sob o fundamento de que o Código Comercial só proibia o seguro de vida quando feito juntamente com o seguro marítimo. Com a expansão do setor, as empresas de seguros estrangeiras começaram a se interessar pelo mercado brasileiro, surgindo, por volta de 1862, as primeiras sucursais de seguradoras sediadas no exterior.

Essas sucursais transferiam para suas matrizes os recursos financeiros obtidos pelos prêmios cobrados, provocando uma significativa evasão de divisas brasileiras. Assim, visando proteger os interesses econômicos do País, foi promulgada, em 5 de setembro de 1895, a Lei n° 294, dispondo exclusivamente sobre as companhias estrangeiras de seguros de vida, determinando que suas reservas técnicas fossem constituídas e tivessem seus recursos aplicados no Brasil, para fazer frente aos riscos aqui assumidos.

Algumas empresas estrangeiras mostraram-se discordantes das disposições contidas no referido diploma legal e fecharam suas sucursais no Brasil. Na oportunidade o mercado segurador brasileiro já havia alcançado desenvolvimento satisfatório no final do século XIX. Concorreram para isso, em primeiro lugar, o Código Comercial, estabelecendo as regras necessárias sobre seguros marítimos, aplicadas também para os seguros terrestres e, em segundo lugar, a instalação, no Brasil, de seguradoras estrangeiras, com vasta experiência em seguros terrestres.

Em 1939, foi criado pelo Governo Vargas o Instituto de Resseguro do Brasil (Atual, IRB Brasil Re), com a atribuição de exercer o monopólio, (quebrado em 2007), do resseguro no país. Em 1966, foi criada a Superintendência de Seguros Privados (SUSEP), para substituir Departamento Nacional de Seguros Privados e Capitalização como órgão oficial fiscalizador das operações de seguro, estabelecendo-se assim, no Brasil,Sistema Nacional de Seguros Privados.

Ramos de Seguros no Brasil

A SUSEP definiu e classificou, em 2003,  os ramos de seguro, no Brasil, da seguinte maneira:

Seguros comuns para pessoas físicas

Seguro de automóvel:

Cobre perdas e danos ocorridos aos veículos terrestres automotores. Coberturas básicas: colisão, incêndio e roubo que podem ser contratadas separadamente ou agrupadas.

Este seguro pode cobrir também prejuízos causados a terceiros (Responsabilidade Civil Facultativa de Veículos – RCF.V), acidentes pessoais de Passageiros. Além disto, é possível contratar outras garantias, tais como: assistência 24 horas, proteção para vidros, lanternas, faróis e retrovisores, carro reserva e ainda, em alguns casos, saldo de financiamento (liquida o financiamento de seu veículo em caso de perda total). Seu custo varia de acordo com as características do carro e a análise do perfil de risco do condutor e segurado.

Atualmente existe uma enorme discussão sobre a criação de associações de proteção veicular que oferecem serviços parecidos com seguros. A SUSEP (Superintendência de Seguros Privados) considera a atividade ilegal, pois não é regulamentada

Seguro obrigatório de automóveis (DPVAT)

É um seguro de responsabilidade civil obrigatório, pago anualmente pelo proprietário de automóvel juntamente com o IPVA. Este seguro visa indenizar vítimas de veículos automotores de via terrestre, não importando quantas estiverem envolvidas em um mesmo acidente. Independente da apuração dos culpados.

Seguro Residencial

O seguro residencial é um produto com coberturas multirriscos, isto é, oferece um conjunto de seguros conjugados ou agrupados numa única apólice. Este tipo seguro é destinado a residências individuais, como casas e/ou apartamentos utilizados como moradia habitual ou de veraneio.

Todo seguro residencial possui uma garantia básica (cobertura), que cobre os prejuízos provocados por incêndio, queda de raio e explosão.

Adicionalmente você pode contratar outras coberturas junto a com a cobertura básica. As seguradoras tem os mais diversos tipos de proteção para sua residencia, sua família, animais, equipamentos esportivos, eletrônicos, bicicleta e até mesmo comemorações. As principais coberturas acessórias do seguro residencial são: Danos elétricos, desmoronamento, quebra de vidros, roubo e furto qualificado, responsabilidade civil familiar, vendaval, perda de aluguel.

Seguro de vida

Garante ao beneficiário ou ao próprio segurado um capital ou renda determinada no caso de morte, ou no caso de o segurado sobreviver em um prazo convencionado. Mediante coberturas adicionais, pode cobrir invalidez permanente, doenças graves e também, em certos casos, acidentes ou situações de desemprego. Este seguro opera em duas modalidades: seguro de vida individual e seguro de vida em grupo.

Seguro saúde

 Objetiva garantir o reembolso das despesas médico-hospitalares, dentro dos limites estabelecidos na apólice, decorrentes de acidentes ou doenças, efetuados pelo segurado titular e respectivo dependentes. O segurado tem livre escolha dos serviços médicos de saúde e varia nas coberturas. Geralmente pode abranger Assistência Médica, Urgências, Hospitalização, Ambulatório, Segunda Opinião Médica e Check-up. Opcionalmente, pode ainda, dar direito a Medicamentos, Parto, Tratamentos Dentários, Próteses e Ortóteses e Doenças Graves.

Seguro viagem

Tem por finalidade cobrir custos relacionados a doenças ou acidentes durante viagens. É válido durante um período pré-determinado escolhido no momento da compra ou contrato do seguro e começa a vigorar a partir do início da vigência desde que o assegurado esteja no aeroporto ou pelo menos 100 km de distância de sua residência. As coberturas variam de acordo com a seguradora e o plano, a maioria dos seguros oferecem cobertura em caso de doença e acidentes, porém é muito comum os planos oferecerem outras coberturas, como bagagem, atraso de voo, concierge, fiança e outros. Brasileiros viajando para Europa devem contratar obrigatoriamente uma cobertura de no mínimo 30 mil Euros de acordo com exigências do tratado de Schengen, em caso de não apresentação do voucher (comprovante do seguro) a entrada pode ser negada. A utilidade do seguro de viagem prende-se, por exemplo, com os custos inerentes a uma evacuação de emergência médica cujos valores podem chegar aos $100,000.

Seguro de responsabilidade civil

 cobre indenizações por danos realizados contra outrem, pelo segurado ou por terceiros tutelados ou sob sua responsabilidade.

O seguro de Responsabilidade Civil tem por finalidade garantir a indenização ao segurado por danos, não intencionais, corporais e/ou materiais causados a terceiros. Seu principal objetivo é garantir segurança e tranquilidade financeira ao segurado frente a imprevistos que envolvam outras pessoas. Ele pode ser contratado tanto individualmente quanto como uma cobertura adicional para outros tipos de seguro, como o Seguro Residencial

Seguros comuns para pessoas jurídicas

  • Seguro incêndio (empresa): oferece cobertura para danos causados por incêndio, queda de raios e explosão causada por gás. Legalmente, obrigatório para as pessoas jurídicas.
  • Seguro de roubo: tem por finalidade básica garantir indenização por prejuízos consequentes de roubo e/ou furto qualificado.
  • Seguro de crédito: apólice de seguro contratada principalmente por empresas com o objetivo de assegurar o valor total ou parte das negociações, contra o risco de inadimplência de pagamentos.
  • Seguro agrícola: oferece cobertura contra perdas físicas da lavoura, geralmente decorrente de intempéries climáticas como chuva, seca, granizo etc.
  • Seguro de condomínio: oferece cobertura para danos causados por incêndio, raio, explosão e outras coberturas, para condomínios verticais e horizontais. Trata-se de seguro obrigatório no Brasil.